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	<title>Jorge Vaz Nande &#187; Brasil</title>
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		<title>O que parece que está acontecendo no Pinheirinho&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 14:07:00 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8230;é a consequência de um entendimento entre poder e dinheiro para impor os interesses da especulação imobiliária sobre os da população. O art. 6º da Constituição da República Federativa do Brasil reconhece o direito à moradia como um direito fundamental. Deixemos isso ficar na mente. Em 2006, o Movimento dos Trabalhadores sem Terra ocupou um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='wb_fb_top'><div style="float:right;"></div></div><p>&#8230;é a consequência de um entendimento entre poder e dinheiro para impor os interesses da especulação imobiliária sobre os da população. </p>
<p>O art. 6º da Constituição da República Federativa do Brasil reconhece o direito à moradia como um direito fundamental. Deixemos isso ficar na mente. Em 2006, o Movimento dos Trabalhadores sem Terra ocupou um terreno <em>desocupado</em> pertencente a um grupo empresarial. O curioso é que esse terreno, após o <a href="http://acervo.folha.com.br/fsp/1969/07/01/2/4472053">assassinato de antigos proprietários sem herdeiros</a> em 1969, foi bem vago e, como tal, passou para as mãos do Estado. E, ainda assim, acabou misteriosamente incorporado pelo grupo de Naji Nahas,  que, aparentemente, deve 15 milhões de reais em impostos à Prefeitura de São José dos Campos. E agora o Estado age para desocupar terra em nome da propriedade privada sem que se saiba bem como ela deixou de ser pública.</p>
<p>Agora vejam este vídeo.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=H8pPOYHmkCc">http://www.youtube.com/watch?v=H8pPOYHmkCc</a></p>
<p>Como diz o site <a href="http://mariafro.com/2012/01/24/pinheirinho-e-uma-operacao-de-guerra-contra-a-populacao/">Maria Frô</a>, <em>observe com atenção o casal com o carrinho de bebê por volta de 2:40; homens pedindo para a polícia parar de atirar que na rota dos tiros tinha idosos, cadeirantes por volta de 4:40; aos 5:40 mulher e criança tentando passar no meio de tiros; as expressões de terror e indignação da família por volta dos 6:03.</em>. Leiam também a <a href="http://www.tsavkko.com.br/2012/01/massacre-do-pinheirinhos-fotos-e-videos.html?utm_source=twitterfeed&#038;utm_medium=twitter">reportagem do Blog do Tsavkko</a> para uma perspectiva <em>in loco</em> do que aconteceu no Pinheirinho.</p>
<p>Independentemente de a ação policial estar apoiada numa decisão de tribunal &#8211; <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Pinheirinho_(S%C3%A3o_Jos%C3%A9_dos_Campos)#Linha_do_Tempo">suspensa pela Justiça Federal e reafirmada sem base jurídica por um juiz estadual</a> -, o que vemos aqui não é uma simples operação de desocupação. Entrar com helicópteros e balas de borracha e atirar indiscriminadamente em pessoas cujo único crime é morar na sua casa, sem acautelar a segurança de crianças, inválidos e idosos, é um ato injustificado e desmedido. A lógica de &#8220;no Brasil é assim&#8221; já teve o seu tempo. <strong>Nenhuma Polícia, em nenhum país do mundo, tem legitimidade para se virar contra a população que jura proteger. Qualquer ordem superior que a oriente nesse sentido é inconstitucional e, como tal, nula.</strong></p>
<p>Enquanto ventos tristes sopram em São José dos Campos, é bom lembrar Adoniran Barbosa. E também que o art. 6º da Constituição da República Federativa do Brasil reconhece o direito à moradia como um direito fundamental. </p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=0NCvDg6E3JQ">http://www.youtube.com/watch?v=0NCvDg6E3JQ</a></p>
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		<title>Explicação ao Brasil da lista da Vice Portugal</title>
		<link>http://jvnande.com/explicacao-ao-brasil-da-lista-da-vice-portugal/</link>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 13:47:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[A Popload republicou uma lista da Vice Portugal. Para desvanecer as dúvidas sobre os artistas portugueses que lá aparecem: B Fachada: bem mais novo do que Marcelo Camelo e bem menos fashion. Mais um Devendra Banhart, se Devendra Banhart tivesse influência de música tradicional portuguesa e pop-rock tuga dos anos 80. http://www.youtube.com/watch?v=Ld2hDc5R9iQ Fausto Bordalo Dias: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='wb_fb_top'><div style="float:right;"></div></div><p><a href="http://popload.blogosfera.uol.com.br/2011/12/16/a-unica-lista-de-melhores-do-ano-que-realmente-interessa-ler-segundo-a-vice-portugal/">A Popload republicou uma lista</a> da Vice Portugal. Para desvanecer as dúvidas sobre os artistas portugueses que lá aparecem:</p>
<p>B Fachada: bem mais novo do que Marcelo Camelo e bem menos fashion. Mais um Devendra Banhart, se Devendra Banhart tivesse influência de música tradicional portuguesa e pop-rock tuga dos anos 80.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Ld2hDc5R9iQ">http://www.youtube.com/watch?v=Ld2hDc5R9iQ</a></p>
<p>Fausto Bordalo Dias: um dos gigantes da música nacional, veio na onda de cantautores de esquerda ligados à revolução democrática nos anos 70. Autor de &#8220;Por este rio acima&#8221;, um dos álbuns mais importantes de sempre em PT. Pode ser considerado um Caetano, mas, como esteve muito tempo desaparecido, será mais um Tom Zé, menos alegre e menos louco. </p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=vPxBNVs0s6E">http://www.youtube.com/watch?v=vPxBNVs0s6E</a></p>
<p>Norberto Lobo e Filho da Mãe: os dois novos expoentes do violão em Portugal. Com a influência clássica da guitarra portuguesa de Carlos Paredes, mas já com trejeitos de jazz e rock &#8211; ao contrário da geração anterior -, fazem música melancólica, muito, muito portuguesa e muito, muito bela.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=XL6r9E7dR1c">http://www.youtube.com/watch?v=XL6r9E7dR1c</a></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=O3J0OHNHOEw">http://www.youtube.com/watch?v=O3J0OHNHOEw</a></p>
<p>Paus: a banda rock que <em>está acontecendo</em> em Portugal. Têm um toque eletropunk, um tanto de pós-rock e, mais uma vez, bastante de rock português dos anos 80. Estive em Portugal em Outubro e posso dizer que todo mundo lá adora Paus.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=SMwbye9H84Q">http://www.youtube.com/watch?v=SMwbye9H84Q</a></p>
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		<title>As chouriças pretas da Rosinha do Lapa</title>
		<link>http://jvnande.com/as-chouricas-pretas-da-rosinha-do-lapa/</link>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 11:47:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Não lhes vou chamar morcelas, porque toda a vida lhes chamei isto: chouriças pretas. Ou de sangue, pronto. Digo com segurança que as da Rosinha do Lapa, que tem o talho na Praça da República de Monção, são as melhores do mundo. Não sei se é do fumeiro ou da carne, mas alguma coisa elas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='wb_fb_top'><div style="float:right;"></div></div><p><a href="http://jvnande.com/teste/wp-content/uploads/2012/01/chouricaspretasrosinhadolapa.jpg"><img src="http://jvnande.com/teste/wp-content/uploads/2012/01/chouricaspretasrosinhadolapa.jpg" alt="" title="chouricaspretasrosinhadolapa" width="500" height="375" class="alignnone size-full wp-image-1208" /></a><br />
Não lhes vou chamar morcelas, porque toda a vida lhes chamei isto: chouriças pretas. Ou de sangue, pronto. Digo com segurança que as da Rosinha do Lapa, que tem o talho na Praça da República de Monção, são as melhores do mundo. Não sei se é do fumeiro ou da carne, mas alguma coisa elas têm, porque são diferentes de todas e qualquer outras. Em Monção, notava logo a diferença quando a Rosinha não as tinha e a minha mãe tinha de comprar outras noutro lado qualquer. Em Coimbra, ficava-me pelas alheiras que a minha amiga Cândida trazia de Macedo. Deliciosas também, mas alheira é outra liga. Quando almoçava cozido à portuguesa nos cafés de Lisboa e provava aquele sucedâneo com sabor de plástico de embalado, chorava por elas. Aqui, no Brasil, foram das primeiras coisas que trouxe, porque o André, com quem fiquei na primeira semana, me disse logo que isto não era famoso de enchidos e que, se lhe queria mostrar gratidão, era um bom jeito. Nunca mais deixei de as trazer. Se Marcel Proust tivesse conhecido a Rosinha do Lapa, não se tinha andado a meter nas madalenas para lembrar a infância. </p>
<p>Não é normal cozinhar-se com sangue em São Paulo e os nativos ficam meio surpreendidos quando as vêem. No Natal, levei uma para um churrasco na minha produtora (ver foto) e as reações variaram entre a repugnância e a adesão total. Pelo meio, houve quem tivesse franzido o sobrolho no início e repetido a dose no final. </p>
<p>Durante a minha vida aqui, as chouriças pretas da Rosinha do Lapa acompanharam-me por alegrias e tristezas. Uma alegria foi o cozido à portuguesa que o pessoal do Inov-Art armou quando ainda cá estávamos todos e pude vê-los, todos de diferentes regiões de Portugal, a confirmar o que eu já sabia: que são as melhores da História. As tristezas deram-se normalmente como, quando ontem, assei a última chouriça. Mas talvez esqueça isso quando hoje estiver a almoçar a outra metade dela com um belo arroz de açafrão.</p>
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		<title>Alô, alô, estupro, Brasil</title>
		<link>http://jvnande.com/alo-alo-estupro-brasil/</link>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 22:03:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os fatos são que uma moça ficou bêbeda no Big Brother, andou aos amassos com um rapaz, foi dormir e ele saltou para baixo dos lençóis. Desde essa noite, o Brasil anda a discutir se ela foi estuprada. Se uma mulher bêbeda pode ser violada, os limites do consentimento, se o rapaz estava bêbedo também, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='wb_fb_top'><div style="float:right;"></div></div><p>Os fatos são que uma moça ficou bêbeda no Big Brother, andou aos amassos com um rapaz, foi dormir e ele saltou para baixo dos lençóis. Desde essa noite, o Brasil anda a discutir se ela foi estuprada. Se uma mulher bêbeda pode ser violada, os limites do consentimento, se o rapaz estava bêbedo também, se um bêbedo pode estuprar, etc. A Globo não mostrou nada na versão editada e, se não fosse o pessoal que viu tudo no pay per view e fez barulho nas redes sociais, talvez a polícia nem tivesse sido chamada. </p>
<p>Talvez seja o final da reality TV nos moldes que conhecemos dos últimos 15 anos. Parece-me claro que um programa que chega ao ponto de tornar tópico de discussão se uma mulher foi estrupada ou não em frente às câmeras foi longe demais. O formato BB assenta em fazer coisas acontecer para gerar fofoca, esse é a motivação dele. Um noticiário informa, uma novela conta histórias, o BB gera fofocas. Tudo bem. Ninguém é santo, a fazer TV muito menos. Mas permitir-se <em>colocar pessoas numa condição em que este tipo de dúvida pode surgir</em> é chegar no puro vazio. O atrativo que o BB poderia ter foi-se. A fantasia que ele criava, o mundo além do mundo que, como a Disneylândia, ele arquitetava, desfez-se quando ele se perdeu dentro dele mesmo e bateu de frente contra o real. E essa fantasia nunca mais se recuperará, porque mais ninguém volta a acreditar no Papai Noel depois que sabe que ele é o tio com uma barba. </p>
<p>Marcelino Freire <a href="https://marcelinofreire.wordpress.com/2012/01/17/poeminha-para-o-bial-ler/">tem razão</a>:<br />
<em>Acho que virei puritano,<br />
melhor eu ficar na minha.</p>
<p>Só não posso concordar<br />
que apenas o negro<br />
tenha de pagar pelo abuso<br />
coletivo.</p>
<p>Por debaixo dos panos,<br />
todas as noites,<br />
sempre foi este<br />
o nosso programa<br />
preferido.</em></p>
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		<title>Quero subsídios estatais para programas de reality!</title>
		<link>http://jvnande.com/quero-subsidios-estatais-para-programas-de-reality/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 Oct 2011 10:32:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Cheguei hoje à conclusão que os programas de reality TV promovem a imagem de um país no estrangeiro e é essencial que eles sejam apoiados pelos Ministérios de Turismo. Sinceramente, que país preferiam visitar? Portugal&#8230; http://www.youtube.com/watch?v=10jnI1DtaOY &#8230;o Brasil&#8230; http://www.youtube.com/watch?v=CP64KdHAqBs &#8230;ou a Suécia? http://www.youtube.com/watch?v=ZPKacexvc6s]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='wb_fb_top'><div style="float:right;"></div></div><p>Cheguei hoje à conclusão que os programas de reality TV promovem a imagem de um país no estrangeiro e é essencial que eles sejam apoiados pelos Ministérios de Turismo. Sinceramente, que país preferiam visitar?</p>
<p>Portugal&#8230;</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=10jnI1DtaOY">http://www.youtube.com/watch?v=10jnI1DtaOY</a></p>
<p>&#8230;o Brasil&#8230;</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=CP64KdHAqBs">http://www.youtube.com/watch?v=CP64KdHAqBs</a></p>
<p>&#8230;ou a Suécia?</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZPKacexvc6s">http://www.youtube.com/watch?v=ZPKacexvc6s</a></p>
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		<title>&#8220;Brasileiro não é de confiança&#8221;: negando ideias, 2</title>
		<link>http://jvnande.com/brasileiro-nao-e-de-confianca-negando-ideias-2/</link>
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		<pubDate>Fri, 07 Oct 2011 18:03:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Série de posts sobre coisas que se poderão pensar sobre o Brasil e os Brasileiros e que não são assim bem verdade. Em Portugal, é normal pensar-se que a palavra dos brasileiros não é confiável, que não se pode contar com aquilo que eles prometem, que não se deve esperar muito dos seus acordos. Como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='wb_fb_top'><div style="float:right;"></div></div><p><em>Série de posts sobre coisas que se poderão pensar sobre o Brasil e os Brasileiros e que não são assim bem verdade.</em></p>
<p>Em Portugal, é normal pensar-se que a palavra dos brasileiros não é confiável, que não se pode contar com aquilo que eles prometem, que não se deve esperar muito dos seus acordos. Como em muitos outros mal entendidos entre as nossas duas nações, isto surge de um desencontro que é mais semântico do que psicológico. É o mesmo tipo de engano que leva os brasileiros a pensar que português precisa de ter tudo muito bem explicadinho porque é menos provido de capacidade cerebral. Não é por isso (a menos que seja um português pertencente à classe política), mas sim porque não falamos a mesma língua. A palavra &#8220;camisola&#8221; em Portugal é como falar &#8220;blusa&#8221;. Tipo, não é uma coisa para as senhoras usarem enquanto dormem, significado de &#8220;camisola&#8221; no BR, mas à qual a gente chamaria &#8220;camisa de dormir&#8221;. Um português que chega aqui e percebe aquilo que tem para jogar tem duas alternativas: ou é chatinho com explicações ou morre soterrado numa avalanche de confusão.</p>
<p>Quando eu cheguei ao Brasil, o amigo com quem morei uma semana antes de ter arranjado casa (ou seja, antes de ele me ter expulsado), disse-me que, se acontecer alguma coisa, se vir que algo está a demorar muito, que não me estão a dar o que preciso, descontrai. Não te enerves, diz ele, e conversa de boa. Conversar é, realmente, o melhor a fazer. O brasileiro é emocional, comunicativo e dá importância às impressões que vão sendo transmitidas. A partir do momento em que entendemos isso, não há razão para que algo dê errado. É só contar com uma diferente forma de agir. Brasileiro não falta aos compromissos, mas é descontraído com eles, e comprometer-se implica uma diferente forma de agir e de falar daquelas que há em PT. Dizer que &#8220;temos de jantar&#8221;, que &#8220;marcamos para sair&#8221;, que &#8220;vamos combinar&#8221; não significa que se jante, que se saia ou que se combine. Mas ele está sendo sincero. Se alguém fala isso, é porque quer mesmo que isso aconteça. Porém, a vida no Brasil é um <a href="http://jvnande.com/negando-ideias-feitas-1-o-brasil-e-um-caos-para-viajar/">eterno devir</a> e dá muitas voltas. Brasileiro sente que é preciso deixar que a vida aconteça e as vontades se encontrem a certo momento. Por isso, calma.</p>
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		<title>&#8220;O Brasil é um caos para viajar&#8221;: negando ideias, 1</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 18:42:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Série de posts sobre coisas que se poderão pensar sobre o Brasil e os Brasileiros e que não são assim bem verdade. O Brasil é um país que assenta na necessidade de se movimentar e quem oferece esse tipo de serviços sabe-o muito bem. Os transportes no Brasil são ótimos. Nas grandes cidades, então, nem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='wb_fb_top'><div style="float:right;"></div></div><p><em>Série de posts sobre coisas que se poderão pensar sobre o Brasil e os Brasileiros e que não são assim bem verdade.</em></p>
<p>O Brasil é um país que assenta na necessidade de se movimentar e quem oferece esse tipo de serviços sabe-o muito bem. Os transportes no Brasil são ótimos. Nas grandes cidades, então, nem se fala. O Metro de São Paulo é dos mais eficientes que já vi, com um tempo de espera muito reduzido. Tem muita gente, é verdade, e a hora de ponta é à japonesa, com toda a gente espremida dentro das carruagens, mas funciona relativamente bem mesmo nessas horas. Noutras cidades onde estive, como o Rio, Recife ou Belém, os transportes também são bons, a informação sobre eles é de fácil acesso e fiável e os destinos são inúmeros, para além de lugares de mais difícil acesso terem gerado o um setor que não existe na Europa, o moto-táxi.</p>
<p>Isso é reflexo de um país onde durante muito tempo foi impossível para uma grande parte da população &#8211; e não só os mais pobres &#8211; comprar um carro. A industrialização dos anos 50 foi feita com um grande companheirismo entre classe política e fabricantes de automóveis e a primeira deixou cair as ferrovias. Com muita gente sem carro a morar nas periferias e a precisar de ir para as cidades vizinhas ou para os centros para poder trabalhar, as empresas de ônibus farejaram a oportunidade.</p>
<p>Sem discutir se o que veio primeiro foi o ovo ou o cu da galinha, há também uma propensão, digamos, psico-social. O brasileiro liga e desliga das relações com facilidade. Pode ter uma conversa super animada e esvaziar a alma com alguém que acabou de conhecer enquanto esperava o ônibus, mas, se o ônibus chega e não dá para conversar mais, se a conversa fraqueja, se algo não bate certo, desliga e, sem problemas, parte para outra. Não há tanto apego às pessoas como há àquilo que o próprio sente. O outro importa na medida do que eu sinto por ele &#8211; o &#8220;eu&#8221; está sempre lá. Movimento, movimento, eterno devir. Também era relativamente normal um homem ter a família oficial num estado e outra noutro. Os soldados portugueses em África nos anos 70 escolhiam se ficavam com a família de guerra ou se voltavam à portuguesa. Aqui não: o homem viajava de estado para estado ou de cidade para cidade para poder estar à vez com toda a gente. </p>
<p>O maior viajante que já conheci na vida é o <a href="http://www.claudiovitorvaz.com/">Claudio Vitor Vaz</a>, que conheci ainda em Coimbra e que já viajou por meio mundo. Ele não precisa de razões: ele vai. E os brasileiros são assim: eles vão correr o mundo, conhecer outros lugares, e voltam. Ou não. Mas a vida é assim mesmo.</p>
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		<title>Rafinha Bastos faz o que um comediante faz</title>
		<link>http://jvnande.com/rafinha-bastos-faz-o-que-um-comediante-faz/</link>
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		<pubDate>Wed, 05 Oct 2011 18:14:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Rafinha Bastos respondeu à polêmica de que falei no meu texto anterior. E respondeu como só um comediante pode responder. Lamentando-se? Não. Inventando desculpas? Nem por sombras. Zangado? Talvez, mas não importa. Rafinha fez o que é suposto que um comediante faça: comédia. Afinal, é simples assim. http://www.youtube.com/watch?v=zCQHDXe3ENk]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='wb_fb_top'><div style="float:right;"></div></div><p>Rafinha Bastos respondeu à <a href="http://jvnande.com/gisele-rafinha-o-humor-e-o-medo/">polêmica</a> de que falei no meu texto anterior. E respondeu como só um comediante pode responder. Lamentando-se? Não. Inventando desculpas? Nem por sombras. Zangado? Talvez, mas não importa. Rafinha fez o que é suposto que um comediante faça: comédia. Afinal, é simples assim.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=zCQHDXe3ENk">http://www.youtube.com/watch?v=zCQHDXe3ENk</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Gisele, Rafinha, o humor e o medo</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 13:50:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[O meu trabalho assenta na liberdade de expressão. Eu ganho a vida a escrever. Se eu não puder escrever o que quero, não posso ganhar a vida. É assim simples. Uma expressão limitada limita-me no meu direito a trabalhar. Por isso, é sempre com alguma aflição e violência que reajo a opiniões que me dizem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='wb_fb_top'><div style="float:right;"></div></div><p>O meu trabalho assenta na liberdade de expressão. Eu ganho a vida a escrever. Se eu não puder escrever o que quero, não posso ganhar a vida. É assim simples. Uma expressão limitada limita-me no meu direito a trabalhar. Por isso, é sempre com alguma aflição e violência que reajo a opiniões que me dizem que não posso escrever ou dizer algo, porque não é &#8220;politicamente correto&#8221; ou algo parecido. E isso também me acontece sempre que vejo notícias semelhantes sobre pessoas que ganham a vida da mesma forma.</p>
<p>Na semana passada, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SEPM) pediu a suspensão de uma campanha com Gisele Bündchen, considerando que ela continha conteúdo discriminatório. Vejamos um dos anúncios dessa campanha.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=nk5H_BdxMz8">http://www.youtube.com/watch?v=nk5H_BdxMz8</a></p>
<p>Vejamos agora um anúncio anterior da mesma marca, também com Gisele Bündchen.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=W_i6Kf-8C2c">http://www.youtube.com/watch?v=W_i6Kf-8C2c</a></p>
<p>O copy do anúncio antigo é <em>&#8220;ela é brasileira. Sexy. Leve. Natural. Ela é Hope&#8221;</em>. Parece-me que dizer que a mulher brasileira é necessariamente &#8220;sexy, leve, natural&#8221; é mais tipificador do que dizer &#8220;você é brasileira, use seu charme&#8221;. Também me parece que o corpo de Bündchen no anúncio mais antigo é mais objeto do que no mais recente, que ao menos lhe dá uma personalidade e voz. Porém, foi esse anúncio o que ofendeu a SEPM. <a href="http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20110930112123&#038;assunto=5&#038;onde=Brasil">A Secretaria divulgou mesmo um artigo</a> que diz que “as agências publicitárias precisam crescer e aprender com os exemplos de maturidade e de cidadania que as mulheres brasileiras vêm oferecendo ao país. E tudo isso sem precisar tirar a roupa&#8221;. </p>
<p>Podemos sempre discutir como é que uma marca de lingerie feminina faz um anúncio em que uma mulher não tire a roupa. Pode ser genial, quem sabe. Mas não consigo deixar de pensar no que poderá ter levado a SEPM &#8211; e grande parte da opinião pública &#8211; a ter reações tão diferentes em relação a dois anúncios com um conteúdo tão parecido. Só consigo chegar a uma conclusão: o tom. O anúncio antigo é sensual, fashion, choque q.b. O recente é cômico. Então, na verdade, não é o que o anúncio afirma sobre a Mulher que causou essa reação, mas o tom com que essa afirmação foi feita. O humor é um meio familiar ao público, que comunica instantaneamente. Pode ser corrosivo, provocador e tudo o mais, mas, acima de tudo, é eficaz, porque vai atrás do espetador. No anúncio antigo, <em>olhamos</em> para Gisele, mas, no mais recente, <em>é ela que nos olha</em> e nos aborda, de uma forma anormal e desconcertante em comerciais de lingerie. Assim, na base, a reação não foi contra a mensagem do anúncio; foi contra o seu tom humorístico, única diferença relativamente ao anúncio anterior com a mesmo conteúdo. E isso leva-nos a Rafinha Bastos.<br />
<a href="http://jvnande.com/teste/wp-content/uploads/2011/10/rafinhabastos.jpg"><img src="http://jvnande.com/teste/wp-content/uploads/2011/10/rafinhabastos.jpg" alt="" title="rafinhabastos" width="500" height="376" class="alignnone size-full wp-image-1080" /></a><br />
A primeira parte do caso Rafinha Bastos começou há uns meses com <a href="http://minilua.com/rafinha-bastos-sera-investigado-suposta-apologia-ao-crime/">a abertura de um inquérito que lhe foi movido por suspeita de apologia ao crime</a> por ter dito num dos seus shows de stand-up que <em>&#8220;toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho. Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus&#8221;</em> e <em>“o homem que cometeu o ato merecia um abraço, e não cadeia&#8221;</em>. Isto foi considerado uma possível incitação ao estupro.</p>
<p>Não assisti a esse número de stand-up, mas o Rafinha é um cultor do humor negro. A sua comédia é toda agressiva, confrontacional e controversa. Ora, ninguém é obrigado a gostar de Rafinha Bastos e qualquer um o pode criticar. Pela natureza do seu espetáculo, ele sujeita-se a isso. Mas a pergunta é: goste-se ou não dele, faz sentido o Estado intrometer-se desta forma naquilo que claramente faz parte de um número de comédia, especialmente um que inclui frases tão inconcebíveis como <em>&#8220;desde que sou pai, concordo com o aborto&#8221;</em>? Por outras palavras, Rafinha Bastos é um comediante que lida CLARAMENTE no terreno do absurdo da violência e da ironia. Quem o vê sabe CLARAMENTE que está a ver um show de comédia, não uma missa ou um discurso político (apesar de haver muitos discursos e missas que parecem piada). Um mecanismo de suspensão dramática funciona nesse caso, da mesma forma que um espetador do filme <a href="http://www.imdb.com/title/tt0363163/">A Queda</a> sabe que as palavras que Hitler fala nele não são do ator ou do roteirista, mas da personagem Hitler. Um humorista apresenta-se sozinho com o seu nome e, portanto, arrisca-se mais. Mas É um discurso artístico, É uma expressão que deve ser protegida pelo direito ao abrigo da qual é dita. E se um Estado utiliza um instrumento legal, a abertura de um inquérito judicial, como meio de intimidação a um espetáculo que CLARAMENTE não é uma incitação ao estupro, mas um exagero do que se pode falar sobre ele, o que garante que não a usará para intimidar peças de teatro que considera controversas, filmes que considera desconfortáveis, livros que considera imorais? Quem define o limite e garante que não teremos uma <em>censura encapotada</em> que, sem instrumentos diretos para maneirar alguém, age pela amolação, pelo desconforto, pela pressão?</p>
<p>A revista Veja chamou a Rafinha Bastos <a href="http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2237/rafinha-bastos-comediante-acha-engracado">&#8220;o novo rei da baixaria&#8221;</a>, mas isso é errado. Baixaria não ofende. Baixaria reduz-se ao que é, todo mundo a reconhece como tal e, por isso, não liga. No Brasil, funk é baixaria. Em Portugal, os Malucos do Riso eram baixaria. Mas Rafinha Bastos é mais do que baixaria: é incômodo. Faz humor perturbante e, goste-se ou não do que ele faz, a comédia deve ser uma forma de expressão livre num estado democrático.</p>
<p>Compreendam-me: não se trata de negar o direito do Estado de atuar contra uma apologia ao crime ou de toda e qualquer expressão ser ilimitada. Eu aceito que o Estado atue contra ações ou palavras que perturbam a ordem democrática &#8211; mas não contra ações ou palavras que são meramente <em>malcriadas</em>. O exagero é parte necessária da comédia, a suspensão dramática também. Um comediante <em>tem direito a ser malcriado e ofensivo</em> e a submeter-se ao arbítrio <em>do público</em>, que pode ou não gostar dele. Mas agir legalmente contra <em>más educações</em> é coisa de ditadura religiosa. </p>
<p>É preciso dizer-se que há uma tendência para <em>a educação</em> no Brasil. Há uma espécie de consenso silencioso que diz até onde se pode ir nos comportamentos, na exposição do corpo, no sexo, e um temor, silencioso também, de ultrapassar esse limite. Na praia, não há qualquer problema em usar um bikini de fio dental que expõe completamente a bunda, mas é muito incorreto uma mulher fazer topless. O jogo de casino é ilegal, mas o jogo do bicho (uma espécie de loteria clandestina com figuras de animais) é geral e feito às abertas, apesar de continuar ilegal, ao que se diz porque essa ilegalidade beneficia muita gente, incluindo membros da classe política. Cada país tem as suas hipocrisias, nenhum é melhor do que o outro. No entanto, estejamos onde estivermos, não podemos deixar de chamar as hipocrisias pelo nome. </p>
<p>A segunda parte do caso Rafinha Bastos aconteceu há uns dias, quando ele foi afastado do programa que co-apresentava, o CQC, <a href="http://maringa.odiario.com/blogs/luizdecarvalho/2011/10/03/rafinha-bastos-afastado-do-cqc-por-piada-sobre-gravidez-de-wanessa-camargo/">por ter respondido &#8220;comeria ela &#8211; e o bebê!&#8221; à notícia de que a cantora Wanessa Camargo está grávida.</a>. </p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=_iRScEQU9p0">http://www.youtube.com/watch?v=_iRScEQU9p0</a></p>
<p>Agora vejamos o refrão do <a href="http://www.youtube.com/watch?v=PNitJ5EDPnM">último êxito da cantora</a>, que trilha uma carreira internacional:<br />
<blockquote>&#8220;You gotta zoom zoom zoom, get in my room room room, you gotta boom boom boom, rock me like vrum vrum vrum&#8221;. </p></blockquote>
<p>Sejamos sinceros: a carreira de Wanessa assenta largamente na sua representação <em>sexual</em>. Quando Rafinha Bastos exclama que &#8220;comeria ela &#8211; e o bebê!&#8221;, ele está a evidenciar esse fato claro. Por muito que se queira, ainda não se pode ser sexual sem sexo. Uma atriz não pode fazer capas de revista evidenciando o decote e esperar que não se fale sobre isso. Um ator de filmes pornos não pode esperar que o considerem pelo seu conhecimento de Shakespeare. Se Rafinha Bastos se coloca a jeito para que não gostem dele e do seu humor, Wanessa Camargo coloca-se a jeito para ouvir piadas sobre a <em>persona</em> sexual que representa na sua imagem pública. Rafinha Bastos foi malcriado, mas não foi gratuito. Foi duro e agressivo como sempre é, como já se espera que seja, e a piada funcionou &#8211; a plateia riu, tal como riu Marco Luque, o colega de apresentação, cuja <a href="http://minilua.com/rafinha-bastos-afastado-cqc/">retratação</a> mostra fraqueza de espírito e um desejo de consenso que é contrário ao que deve ser o instinto disruptivo de um humorista.</p>
<p>Uma amiga fez-me um reparo: Rafinha Bastos não estava a falar num teatro cheio <em>do seu</em> público, que pagou R$100 para o ver, mas na televisão aberta. Ela tem razão. Podemos acusá-lo de falta de bom senso. Mas isto leva-nos a outra pergunta: porque o discurso de uma TV aberta tem que ser normalizador e não expor esses choques sociais? Porque a comunicação que <em>toda a gente pode ver</em> tem que fingir que o mundo é um lugar sem conflitos, sem opiniões, onde nada tem implicações em coisa nenhuma? De certa forma, a televisão esvazia o sentido do que diz para poder sobreviver enquanto entidade comunicativa no mundo. Parece que o ideal televisivo implica que as pessoas se respeitem umas às outras fazendo com que o que dizem seja inconsequente, como naqueles concursos de 3 horas na late night tv em que o espetador telefona para ganhar dinheiro: um discurso que não afirma, se oferece ao consenso, evita todo e qualquer tipo de conflito e em que perder e ganhar não importa, porque tudo é nivelado pela planura da transmissão.</p>
<p>Repito: o Brasil não é diferente de qualquer outro país. Portugal não está isento disto (o <a href="http://www1.ionline.pt/conteudo/114757-erc-instaura-pela-primeira-vez-processo-programa-humor">caso Rui Sinel de Cordes</a> ainda é recente), nenhuma sociedade moderna o está. Mas as democracias constroem-se com os conflitos acontecendo no aberto e discutidos no espaço público. Estas reações, ao contrário, são reflexo de uma sociedade regida pelo medo. Eu não gosto de medo. Metade do meu esforço de sobrevivência consiste em enfrentá-lo, e não consigo aceitar quem se rende a ele. Deita-me abaixo. Só gostaria que mais pessoas pensassem assim.</p>
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		<title>Coisas do Brasil: a lei do psiu</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 20:18:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No cardápio do Papo, Pinga e Petisco, na Praça Roosevelt, vem uma &#8220;curiosidade&#8221; entre as cervejas e as caipirinhas: Aqui, neste local, foi realizado o primeiro show de Elis Regina em São Paulo, no ano de 1964. Era meia noite e o White Album dos Beatles tocava a altos berros. Na verdade, parecia uma versão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='wb_fb_top'><div style="float:right;"></div></div><p>No cardápio do Papo, Pinga e Petisco, na Praça Roosevelt, vem uma &#8220;curiosidade&#8221; entre as cervejas e as caipirinhas:</p>
<blockquote><p>Aqui, neste local, foi realizado o primeiro show de Elis Regina em São Paulo, no ano de 1964.</p></blockquote>
<p>Era meia noite e o White Album dos Beatles tocava a altos berros. Na verdade, parecia uma versão condensada do White Album, porque as canções soavam mais rápidas do que o costume. E, talvez, não seja o White Album, porque, no preciso momento em que escrevo isto, está a tocar a Let It Be, que é do álbum homónimo. Enfim. O fato ainda mais curioso do que a &#8220;curiosidade&#8221; é que, logo por baixo da info sobre a mãe da Maria Rita, vem o aviso a bold:</p>
<blockquote><p>Nosso Bar respeita a &#8220;Lei do Psiu&#8221;, pedimos que não excedam no barulho.</p></blockquote>
<p>O que me leva a duas perguntas. A primeira: será que a Elis poderia ter tocado aqui em 1964 se já houvesse lei do &#8220;psiu&#8221;? A segunda: quem batizou ela de lei do &#8220;psiu&#8221;? É que &#8220;psiu&#8221; pode ser &#8220;silêncio&#8221;, mas também pode ser &#8220;psiu, ó para mim aqui te chamando&#8230;&#8221;. Porque não lei do &#8220;chut&#8221;? Ou lei do &#8220;calou!&#8221;? Ou lei do <a href="http://www.youtube.com/watch?v=9fI0H-hTzDw">&#8220;eu quero dormir, poha!&#8221;</a>? Ou lei da <a href="http://www.youtube.com/watch?v=5dakfpAoHoo&#038;feature=related">&#8220;coña marinera&#8221;</a>? Definitivamente, houve falta de imaginação.</p>
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