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	<title>Jorge Vaz Nande &#187; textos</title>
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		<title>O tapete mais feio do mundo</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Apr 2012 18:40:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[ficção]]></category>

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		<description><![CDATA[Escrito para a última edição d&#8217;A Cabra, porque é sempre bom sentir um pezinho em casa. Inspirado numa história real. Era uma vez um tapete. Muitas histórias poderiam começar assim. Mas ele não era um tapete qualquer, porque ele era o tapete mais feio do mundo. O dono já não se lembrava de onde o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Escrito para a <a href="http://issuu.com/acabra/docs/244pdf">última edição d&#8217;A Cabra</a>, porque é sempre bom sentir um pezinho em casa. Inspirado numa história real.</em></p>
<p>Era uma vez um tapete. Muitas histórias poderiam começar assim. Mas ele não era um tapete qualquer, porque ele era o tapete mais feio do mundo. O dono já não se lembrava de onde o tinha encontrado. Pelo menos, nunca o admitiu a ninguém. Quando Márcio e Dora, um casal de amigos, o visitaram, Márcio riu-se e disse &#8220;não acredito que deste dinheiro por isto. Este é o tapete mais feio do mundo!&#8221;. Dora baixou os olhos, triste com as coisas que o namorado dizia. E o dono do tapete tentou lembrar-se porque é que ainda era amigo do Márcio.<br />
O tapete já ouvia coisas parecidas desde que, acabadinho de sair da linha de produção, o pessoal da fábrica o olhou com preocupação. Um funcionário disse mesmo &#8220;será que pode ir para a loja assim?&#8221;. O patrão chegou, viu toda a gente parada, atirou o tapete para a pilha dos vendidos e gritou &#8220;a crise já acabou ou quê? Tudo a trabalhar!&#8221;.<br />
Na loja, as empregadas puseram-no no fundo da pilha, com a esperança que ninguém o visse e saísse assustado. Mas, um dia, alguém comprou o camarada que estava por cima dele e, sem querer, levou-o também. A rapariga da caixa reparou no engano, mas não disse nada. O tapete mais feio do mundo tinha que se fazer à vida.<br />
Quando o dono do tapete fez aniversário, diminuiu e direcionou sabiamente as luzes para que ninguém na festa conseguisse notá-lo Ao tapete, soube bem sentir tantos pés a pisarem-no. Normalmente, era evitado. Mas nessa noite não: ele podia por fim sonhar que era um tapete igual aos outros, peludo e grande, aqueles tapetes que os pais passam para os filhos e os filhos para os netos e assim por diante. Mas o Márcio estava na festa também, e o Márcio é daquele tipo de pessoas que cria uma roda de convidados em volta dele e se põe a contar coisas que as fazem rir. Entre elas, o tapete mais feio do mundo. Todos explodiram numa gargalhada, menos Dora, que ficava triste com as coisas que o namorado dizia, e o dono do tapete, que decidiu enfiá-lo num armário até decidir o que fazer com ele.<br />
No dia seguinte, enquanto o dono arrumava a confusão que ficara da festa, o tapete estava triste. Ele não gostava do armário. O seu destino enquanto tapete era o chão, onde todos o podiam pisar e limpar os sapatos. O escuro do armário era a humilhação suprema na sua curta vida. E &#8220;curta&#8221; era realmente a palavra certa: o dono planeava deitá-lo ao lixo no fim do dia.<br />
A campainha tocou. Era Dora. &#8220;Posso entrar?&#8221;. &#8220;Claro&#8221;, respondeu ele com surpresa. Dora era uma mulher cobiçável pelos homens, e o dono do tapete não era exceção. O que ela fazia ali? Ela entrou e despiu-se à frente dele. &#8220;Quero-te aqui e agora, com uma condição&#8221;. Ele estaria disposto a tudo. Ela continuou: &#8220;vai ser em cima do tapete&#8221;.<br />
Nas horas seguintes, o tapete sentiu coisas inimagináveis para a maioria dos tapetes do mundo. O toque amigo da pele humana. A confusão do prazer enquanto joelhos e mãos se fincavam nele. As umidades caindo nos seus pelos, muitas vezes, repetidas vezes. E a perversão também, quando ela gritava o nome do Márcio no meio de uma onda de insultos enquanto o dono do tapete a ia preparando para o clímax. Ela, gozando, levantou os olhos. E o dono do tapete lembrou-se então porque era amigo de Márcio: para ficar com Dora por perto.<br />
Depois de fumarem um cigarro, ela levantou-se, pegou as roupas do chão e vestiu-se. Ele riu-se: &#8220;E eu que ia deitar o tapete fora&#8221;. Ela, que já estava perto da porta, disse &#8220;podes fazê-lo. Ele é feio mesmo. Mas há coisas que é má educação dizer&#8221;. E saiu.<br />
Mais tarde, o tapete estava no meio do lixo de um contentor e sentia o ar frio da noite. Era o fim, ele sabia. Mas, em tão pouco tempo, ele tinha conseguido mais do que tantos outros seus camaradas. Em si, para a morte, levava as marcas de uma tarde de amor. E, sorrindo, foi levado pelos almeidas enquanto, em casa, o seu ex-dono pensava na Dora e tentava inventar uma maneira de preencher o espaço em branco com que ficara no chão.</p>
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		<title>Conto inédito: &#8220;Carta aberta do Grupo das Sextas Feiras relativa ao falecimento do Presidente da República&#8221;</title>
		<link>http://jvnande.com/conto-inedito-carta-aberta-do-grupo-das-sextas-feiras-relativa-ao-falecimento-do-presidente-da-republica/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 06:23:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[ficção]]></category>
		<category><![CDATA[textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Escrevi este conto em 2010 para uma revista institucional. Compreensivelmente, ela recusou-o e, para o substituir, escrevi uma carta triste. Ele ficou guardado no meu computador, até que hoje, enquanto via o V for Vendetta, me lembrei que estive em Londres no 5 de Novembro, onde me encontrei com manifestações a serem travadas, e que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jvnande.com/teste/wp-content/uploads/2011/11/presidente.jpg"><img src="http://jvnande.com/teste/wp-content/uploads/2011/11/presidente.jpg" alt="" title="presidente" width="500" height="364" class="alignnone size-full wp-image-1165" /></a><br />
<small><em>Escrevi este conto em 2010 para uma revista institucional. Compreensivelmente, ela recusou-o e, para o substituir, escrevi uma carta triste. Ele ficou guardado no meu computador, até que hoje, enquanto via o</em> V for Vendetta<em>, me lembrei que estive em Londres no 5 de Novembro, onde me encontrei com manifestações a serem travadas, e que hoje vi <a href="http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&#038;v=wuWEx6Cfn-I">um vídeo</a> de estudantes, que se manifestavam sentados e pacificamente, a serem sprayzados com gás pimenta, como quem passa Raid em melgas porque nos vêm perturbar o sono. Por isso tudo, acho que chegou o momento de o dar a ser lido</em>.</small></p>
<p>Caro leitor, se nada mais fixar deste texto, eu desejo, em representação do Grupo das Sextas-Feiras, que pelo menos fixe a seguinte mensagem: não fomos nós a matar o Presidente da República. Nós apenas operámos a consequência da causa que foi a acção do Governo e de uma classe política corrupta, do mesmo modo que um buraco numa parede é causado, não pela bala que a fura, mas pelo homem que a dispara. Os motivos para o rapto e condições para a libertação do sequestrado foram assumidos desde o início e tinham como principais pontos os seguintes: </p>
<p><em>- Fiscalização de todos os actos governamentais por uma entidade civil, apartidária e independente;<br />
- Suspensão das quotas de produção impostas pela União Europeia;<br />
- Reforma agrária, com limitação dos hectares apropriáveis pela mesma pessoa singular ou colectiva;<br />
- Obrigatoriedade das multinacionais se submeterem a uma fiscalização prévia de merecimento ético e ecológico antes de poderem actuar no país;<br />
- Possibilidade de expulsão das mesmas, caso esse merecimento se perca;<br />
- Declaração de nulidade de todas as regras de propriedade intelectual;<br />
- Nacionalização de toda e qualquer forma de propriedade em zonas seleccionadas, com especial rigor na ilha da Madeira;<br />
- Definição de intervalos rigorosos que progressivamente anulem as diferenças salariais entre os trabalhadores dentro da mesma empresa, em todas as empresas portuguesas;<br />
- Fim do ensino universitário tendencialmente exclusivo, privatizado e com finalidade lucrativa, com um pedido oficial de desculpas à nossa geração e ao país.<br />
</em></p>
<p>Estes pontos foram ditados ao PR assim que ele acordou do transe que lhe induzimos e repetidos a todos os nossos interlocutores durante o processo de negociação que se arrastou durante uma semana. Recordo que, após essa primeira leitura, o comentário feito pelo PR foi particularmente insultuoso relativamente às nossas boas intenções e, como tal, tivemos de pô-lo a dormir outra vez. Mas isso agora não interessa.</p>
<p>Durante a negociação, ficámos surpreendidos com o modo como o Governo e também a Casa Civil pareceram particularmente indiferentes aos nossos apelos. Os nossos telefonemas não eram atendidos e, quando o eram, não ouvíamos os famosos ruídos que indiciavam escutas. Ao contrário de tantos cidadãos, ninguém se interessava pelo que dizíamos, mesmo que tivéssemos raptado o Presidente. Riram-se das nossas condições, não acreditavam em nós, ainda que (e talvez precisamente porque) não exigíssemos qualquer quantia monetária para a libertação e apenas o cumprimento daqueles nove pontos, que considerávamos, ainda e sempre, necessários para que este país se tornasse, se não recomendável, pelo menos tolerável. Já num período de míngua de soluções que não se resolveu nem quando propusemos que o PR falasse directamente ao telefone com o PM e o presidente da AR – as agendas carregadas deles não o permitiam &#8211; vimo-nos obrigados, em desespero, a recorrer à solução que não desejávamos, mas que na altura se apresentou como a única possível.</p>
<p>A primeira orelha do PR foi enviada no dia 18 de Março para a sede oficial do maior partido da oposição e não, como correu nalguns fóruns anarquistas na Internet, directamente para a Primeira-Dama. Reacção: silêncio, apesar de lá estarem bem claros todos os nossos devidos contactos e motivações. Tememos por um extravio postal e, a 20 de Março, cortámos a segunda orelha, que remetemos para a sede do partido do Governo em envelope verde registado, o que, para uma pequena organização clandestina, representou um grande custo… mas não suscitou impacto maior do que os CV que enviámos logo após acabarmos a licenciatura.</p>
<p>Quero salientar o seguinte ponto: todas as intervenções cirúrgicas foram executadas pelos nossos membros estagiários de Medicina, com recurso ao material que conseguiram surripiar dos respectivos locais de trabalho. Somos raptores, mas não somos bárbaros. O sofrimento do PR foi reduzido ao mínimo possível e foi com satisfação que verificámos que, nos seus breves intervalos de semi-consciência, nada de reprovador exprimiu sobre a nossa acção. Enquanto órgão unipessoal, o PR compreendia que o extirpássemos dos órgãos de modo lento e calculado. Isso animava-nos e levava-nos a entender que estávamos no caminho certo.</p>
<p>Considero que, após esta contextualização, o leitor conseguirá entender e, quem sabe, ser compassivo com o nosso acto seguinte, discutido até à exaustão em várias reuniões extraordinárias e levado a cabo com grande esforço e mobilização de meios. O aterrador silêncio que era contraposto às nossas acções só podia ser quebrado, sabíamo-lo, com uma atitude drástica. Como tal, no dia 22 de Março anestesiámos e desmembrámos o PR. Distribuímos os seus membros pelos seguintes locais: as pernas para o centro do campo dos dois estádios da Segunda Circular; o braço esquerdo para o nariz do Cristo-Rei; e o braço direito masturbando um dos leões nas escadas da Assembleia da República.</p>
<p>Concordando ou não com o método escolhido, o leitor diria que isto terá chegado, que esta acção foi suficiente para que pelo menos alguém se interrogasse sobre o se passava. Mas isso não aconteceu. Da noite para o dia, os monumentos foram limpos dos elementos perturbadores, a normalidade foi reposta. Então compreendemos: alguém tinha interesse em que não se soubesse que o PR fora sequestrado, como se pudesse beneficiar de um Palácio de Belém silencioso. Ou então alguém preferiu assistir à lenta decomposição de um homem a fazer cumprir nove simples pontos &#8211; presumindo, claro, que saberia fazê-los cumprir.</p>
<p>Quando o estado de fraqueza extrema do PR causou o seu falecimento (ao que parece, ele padecia de anemia crónica, o que nunca nos foi comunicado), o Grupo das Sextas-Feiras foi desactivado e todas as suas actividades suspensas. Colocámos o semi-presidente no chafariz do Freeport de Alcochete, onde considerámos que seria fácil encontrá-lo. Porém, até hoje não ouvimos qualquer notícia que relatasse a descoberta do corpo ou mencionasse os factos enumerados na nota que deixámos com ele. O tempo foi passando e a única conclusão possível é que não nos faremos entender por quem de direito. Ninguém nos vai ouvir, ninguém nos vai ligar. Nem você, caro leitor, que provavelmente estará a ler este texto como se de ficção se tratasse. Passados todos estes dias, percebemos enfim que nem a morte do Presidente da República chega para alguma coisa neste mundo estúpido. Jogando limpo ou fazendo batota, nunca venceremos nada e essa é a única certeza possível.</p>
<p>Cumprimentos. </p>
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		<title>O poema novo que disse no Slam Lx na semana passada</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Nov 2011 14:04:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu sou um homem de metáforas Perdido nas diásporas Tudo o que digo Pode ser mal entendido Tudo o que faço Pode ser um embaraço Um dia, disse a uma amiga “Dás-me frio na barriga” E ela, agradecida, Ofereceu-me a perseguida Mas não era frio de paixão Era só indigestão Há pouco, a moça do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sou um homem de metáforas<br />
Perdido nas diásporas<br />
Tudo o que digo<br />
Pode ser mal entendido<br />
Tudo o que faço<br />
Pode ser um embaraço</p>
<p>Um dia, disse a uma amiga<br />
“Dás-me frio na barriga”<br />
E ela, agradecida,<br />
Ofereceu-me a perseguida<br />
Mas não era frio de paixão<br />
Era só indigestão</p>
<p>Há pouco, a moça do bar<br />
Fixou em mim o olhar.<br />
E perguntou “queres gelo?”. Não era feia<br />
E falei de mamilos e nove semanas e meia<br />
Porque a mente não me pára<br />
E ela atirou-me o gelo à cara</p>
<p>Eu sou homem de metáforas<br />
Hipérboles e anáforas<br />
Aquilo que falo<br />
Será burro ou cavalo.<br />
E acostumei-me, de murro em murro,<br />
A passar de cavalo pra burro.</p>
<p>Quando ligo a televisão<br />
E vejo o estado da nação<br />
No Parlamento<br />
Não sinto qualquer sofrimento.<br />
Enquanto tomam conta de nós<br />
Não precisamos levantar a voz</p>
<p>Tudo está bem<br />
Não olhes para além<br />
Deixa-te ficar onde estás<br />
As coisas não são más.<br />
Tens a vida assegurada<br />
Não te incomodes com nada.</p>
<p>Sou um homem de ironias<br />
Sarcasmos e alegrias.<br />
Entende-me quem quiser,<br />
O resto só se puder.<br />
Não confundam a minha voz,<br />
Ela é minha, ela é nós.</p>
<p>Eu sou um homem de metáforas,<br />
Digo palavras tão ásperas.<br />
Vagueiam entre o bem e o mal<br />
Como o pecado original<br />
E vêm plenas de prazer<br />
Doam a quem doer.</p>
<p>Eu não sou quem aqui está<br />
Neste palco, pessoa má<br />
Ou boa, depende da perspectiva.<br />
Eu não sou da gente ativa<br />
Que faz o mundo funcionar<br />
Com o Excel a dar e a dar.</p>
<p>Eu sou dali atrás,<br />
Só no escuro estou em paz<br />
E sozinho é que me encontro<br />
Me defino ponto a ponto.<br />
Eu não sou eu.<br />
Eu não sou eu.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Poema de ler baixo</title>
		<link>http://jvnande.com/poema-de-ler-baixo/</link>
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		<pubDate>Sat, 22 Oct 2011 11:24:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[entre o que vês e dizes não existe nada és simples e sem malícia não sabes nada de computadores não temes pedir ajuda a estranhos entre o que vês e dizes não há teias ou imundície há só o que és e aquela transparência do que é real e luz entre o que vês e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>entre o que vês e dizes<br />
não existe nada<br />
és simples e sem malícia<br />
não sabes nada<br />
de computadores<br />
não temes pedir<br />
ajuda a estranhos</p>
<p>entre o que vês e dizes<br />
não há teias ou<br />
imundície há só<br />
o que és e aquela<br />
transparência<br />
do que é real<br />
e luz</p>
<p>entre o que vês e dizes<br />
sorris porque<br />
achaste enfim quem<br />
te matasse a fome</p>
<p>fizeste um sanduíche<br />
com minhas palavras</p>
<p>e comeste-me<br />
a vergonha.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sério, você estuda na Usp?</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Sep 2011 13:32:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Um poema novo que li ontem no ZAP!. Sério, você estuda na Usp? Eu estive na Usp já olhando as árvores tapar a estrada cheia de carros parados por onde os líderes médicos doutores futuros desse país e além fronteiras derramavam seus excessos porque os banheiros estavam fechados e eu pensando &#8220;estou vendo os futuros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Um poema novo que li ontem no <a href="http://zapslam.blogspot.com/">ZAP!</a>.</em></p>
<p>Sério, você estuda na Usp?<br />
Eu estive na Usp já<br />
olhando as árvores tapar a estrada<br />
cheia de carros parados por onde<br />
os líderes médicos doutores futuros desse país e além fronteiras<br />
derramavam seus excessos<br />
porque os banheiros estavam fechados<br />
e eu pensando<br />
&#8220;estou vendo os futuros líderes desse país e além fronteiras<br />
mijando e cagando e vomitando<br />
indefesos como eu fui<br />
nus como eu já estive<br />
quando há muito tempo eu pensava ainda<br />
que o futuro é previsível e eu<br />
sou mais que um joguete<br />
bola de gude invisível<br />
atirada das mãos do acaso&#8221;.</p>
<p>Que legal, você estuda na Usp.<br />
Como você sabe, né<br />
Como você olha com olhos que sabem<br />
toca com mãos que sabem<br />
fala com boca que sabe enquanto<br />
teu corpo se esparrama pela terra<br />
e faz malabares com fitas noturnas<br />
alguém te pôe na boca o remédio da alice<br />
és a melhor pessoa do mundo<br />
teus olhos brilham<br />
tu sorris<br />
podemos ser diferentes<br />
essa noite<br />
do que somos no resto do tempo<br />
podemos nos ver um no outro como quem se olha num lago e sabe<br />
que as ondas vão e vêm distorcendo-nos como pensamentos<br />
e talvez amanhã acordemos<br />
e te sintas vulnerável no silêncio<br />
que nos cobre<br />
no lençol<br />
que nos cobre<br />
sempre o mesmo lençol que me cobre<br />
sempre e cobre e sobe sempre<br />
mais alto até me tapar completamente<br />
e estares<br />
vulnerável no silêncio e nua e eu<br />
indefeso sem segredos<br />
sufocado<br />
e teu</p>
<p>Mas eu sou só este momento<br />
dente de leão transformado a cada golfada de vento<br />
e você estuda na Usp<br />
és mais o que vais ser do que aquilo que és<br />
teu futuro é grande<br />
e eu não caibo na mesma sala que ele<br />
tens muito para fazer na vida<br />
tens uma orientação política de esquerda a alimentar<br />
com o dinheiro que toda semana teu pai dá<br />
e anos até descobrires que nada no mundo é bonito<br />
ou bondoso e tua vida é só a estrada possível<br />
por entre árvores cruéis de carne e sangue<br />
e gigantes cínicos falando merda<br />
por isso fala coração fala<br />
amanhã combinamos algo<br />
não te preocupes<br />
sucesso<br />
combinado<br />
e até mais</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Retrato do artista enquanto Zapeão</title>
		<link>http://jvnande.com/retrato-do-artista-enquanto-zapeao/</link>
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		<pubDate>Mon, 13 Jun 2011 15:21:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[novidades]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Foto de Tide Gugliano Fazer crescer uma cena nunca é tarefa fácil, ainda para mais se estivermos a falar de algo que, pura e simplesmente, não existe. Apesar do tamanho e do cosmopolitismo de São Paulo, o slam só começou a ser organizado enquanto tal (poesia + performance + competição) há cerca de três anos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jvnande.com/teste/wp-content/uploads/2011/06/5817612703_8fc3aa5fc1_b.jpg"><img src="http://jvnande.com/teste/wp-content/uploads/2011/06/5817612703_8fc3aa5fc1_b.jpg" alt="" title="5817612703_8fc3aa5fc1_b" width="500" class="alignnone size-full wp-image-771" /></a><br />
<em><small>Foto de <a href="http://zapslam.blogspot.com/2011/06/blog-post.html">Tide Gugliano</a></small></em><br />
Fazer crescer uma cena nunca é tarefa fácil, ainda para mais se estivermos a falar de algo que, pura e simplesmente, não existe. Apesar do tamanho e do cosmopolitismo de São Paulo, o slam só começou a ser organizado enquanto tal (poesia + performance + competição) há cerca de três anos, quando a Roberta Estrela D&#8217;Alva organizou os seus comparsas do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, ali pertinho da Pompéia. Como o mundo é um penico, a Roberta é amiga desde a infância do Newton Cannito, um dos maiores responsáveis pela minha vinda para o Brasil, e, interessada pela proposta dos Social Smokers, aproveitou os conhecimentos comuns para meio que se auto-convocar para nos acompanhar quando a banda esteve no Brasil em Novembro do ano passado. Foi então que conheci o Núcleo e o ZAP!, a noite de slam mensal que eles organizam. Já lá tinha ido uma vez, mas só como jurado &#8211; fiquei na mesma mesa de um gaúcho e, curiosamente, éramos sempre os dois a dar as notas mais baixas, o que nos fez temer pela nossa integridade física face ao pessoal da Zona Leste. Ainda bem que poesia é amizade. Mas aconteceu que, na última quinta feira, deu-me uma vontade de fim de tarde de ir à competição e, contra todas as minhas expetativas, a noite acabou comigo a ser o Zapeão, ao mesmo tempo que a Roberta Estrela D&#8217;Alva sacava o terceiro lugar na Copa do Mundo do Slam em Paris. Ganhar é sempre bom, mas os minutos em que ouvi a poeta e atriz <a href="http://purpleann.blogspot.com">Ana Roxo</a> fazer <a href="http://purpleann.blogspot.com/2010/12/comecei-escrever-aquele-texto-triste.html">este poema</a> foram o momento de slam ou recitais ou saraus ou leituras públicas ou seja lá o que for que mais me emocionaram na vida. Por isso, deixo-o aqui, desejando uma vida longa ao <a href="http://zapslam.blogspot.com">ZAP!</a><br />
<blockquote>Comecei a escrever aquele texto triste</p>
<p>talvez não seja triste ou não tão triste<br />
quanto deveria ser um texto sobre eu e você<br />
talvez só seja assim, melancólico<br />
com medo do sofrimento<br />
que viria, e veio devagar<br />
começa assim de repente<br />
meio no meio de uma tarde chuvosa e com enchente<br />
depois tem um espaço onde cabe o silêncio<br />
e por onde podem escorrer umas lágrimas<br />
não tem fluxo o texto<br />
começa de supetão<br />
e para um tempão num vácuo<br />
depois fica bonito a beça<br />
eu falo de cores que eu conheço e queria te contar<br />
conto de coisas que vi e vivi<br />
e te faço convites incríveis<br />
descrições inimagináveis de lugares em que estive sozinha<br />
falo de montanhas que são ondas, deuses hindus, mitologias inventadas<br />
animais fantasiosos, deuses pagãos, sagas heróicas,<br />
dançarinas de vários braços, de um homem com três bocas cantantes<br />
do dia em que o capeta me paquerou<br />
e de como os deuses as vezes descem a terra e brincam com a gente<br />
conto quase tudo de impensável<br />
e nessa parte eu te impressiono.<br />
Depois vai ficando mais cafona,<br />
porque meu repertório não é tão bom assim.<br />
Mais pra frente fica triste e bonito de novo.<br />
Eu vou dizendo que te amo de vários jeitos<br />
primeiro clichês e mais pra frente novos,<br />
que nem aquele dia<br />
que eu disse eu te amo só com o olho,<br />
no meio de uma frase e você não esperava<br />
(porque eu passei grande parte da nossa história<br />
inventando jeitos diferente de dizer eu te amo<br />
então nada mais justo do que colocar isso naquele texto)<br />
Coloco um mar no meio, pra deixar mais água<br />
e nessa hora fica feio, um pouco infantil<br />
eu me fragilizo muito e digo<br />
que foi tudo culpa minha<br />
como se a culpa existisse mesmo e eu acreditasse nisso<br />
mas é só pra você se impressionar de novo<br />
e ficar mais um pouco do meu lado.<br />
Mas nem assim adianta<br />
você parte mesmo assim<br />
e talvez até por causa disso<br />
(no final dos meus textos você sempre vai embora)<br />
mas aí no texto eu minto<br />
dizendo te dei um mais beijo<br />
e disse tchau com muita dignidade<br />
(e não chorei nem fiquei aflita<br />
nem me joguei no chão<br />
e quis tomar formicida)<br />
ou talvez eu coloque uma piada<br />
não sei, eu ainda não terminei o texto.<br />
Mas acho que no fim<br />
eu saio com uma desculpa esfarrapada<br />
dizendo por exemplo<br />
que eu ainda não terminei.</p></blockquote>
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		<title>Poema contra a crise</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Apr 2011 13:01:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Há quem diga que a poesia não resolve nada, Há quem diga que a poesia não é prática. Mas eu vou resolver esta crise Com poesia matemática! O primeiro verso vai custar-lhe mil euros! O segundo verso vai custar-lhe dois mil euros! O terceiro verso vai custar-lhe uma participação numa empresa sediada no off-shore da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há quem diga que a poesia não resolve nada,<br />
Há quem diga que a poesia não é prática.<br />
Mas eu vou resolver esta crise<br />
Com poesia matemática!</p>
<p>O primeiro verso vai custar-lhe mil euros!<br />
O segundo verso vai custar-lhe dois mil euros!<br />
O terceiro verso vai custar-lhe uma participação numa empresa sediada no off-shore da Madeira!</p>
<p>O quarto verso vai custar-lhe uma citação na revista Ler!<br />
O quinto verso vai custar-lhe uma citação no Jornal de Letras!<br />
O sexto verso vai custar-lhe uma citação pelo Tribunal de Contas para um processo que não terá quaisquer efeitos práticos!</p>
<p>O sétimo verso vai custar-lhe uma casa de banho no Palácio de Belém!<br />
O oitavo verso vai custar-lhe uma casa de banho no palácio de um barão de droga colombiano!<br />
O nono verso vai custar-lhe uma casa de banho no Ministério da Cultura de Manuel Maria Carrilho!</p>
<p>O décimo verso vai custar-lhe o tecido das cuequinhas de Angela Merkel!<br />
O décimo primeiro verso vai custar-lhe a tenda que Muammar Kadhafi usou quando veio a Lisboa!<br />
O décimo segundo verso vai custar-lhe a barraca que o FMI vai armar neste país!</p>
<p>O décimo terceiro verso vai custar-lhe uma linha (de coca) a grande velocidade e um aeroporto que não ota nem desota!<br />
O décimo quarto verso vai custar-lhe o ouro do Brasil!<br />
E o décimo quinto verso vai custar-lhe todas as derrapagens nas obras públicas nos últimos dez anos!</p>
<p>Há quem diga que poeta é pobre,<br />
Há quem diga que poeta é mau,<br />
Mas eu com este poema<br />
Acabei de salvar Portugal!</p>
<p><em>Lido pela primeira vez no slam da iniciativa Poesia Monumental, no dia 5 de Abril na Galeria Monumental, no Campo dos Mártires da Pátria nº 101. O evento termina hoje às 22h, com o concerto dos Social Smokers. </em></p>
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		<title>Canção do Asilo (a partir de Gonçalves Dias)</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Nov 2010 16:48:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Minha terra não tem palmeiras Lá não canta o sabiá Não tem esfiha nem coxinha Maniçoba ou vatapá &#8220;É assim&#8221; é nosso &#8220;então&#8221; O &#8220;OK&#8221; é &#8220;entendi&#8221; A saudade que lá existe É a mesma que existe aqui Não encontro prazer lá E não sei se o há aqui Minha terra é um sonho em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha terra não tem palmeiras<br />
Lá não canta o sabiá<br />
Não tem esfiha nem coxinha<br />
Maniçoba ou vatapá</p>
<p>&#8220;É assim&#8221; é nosso &#8220;então&#8221;<br />
O &#8220;OK&#8221; é &#8220;entendi&#8221;<br />
A saudade que lá existe<br />
É a mesma que existe aqui</p>
<p>Não encontro prazer lá<br />
E não sei se o há aqui<br />
Minha terra é um sonho em pó<br />
Acordei, logo esqueci</p>
<p>Se esta terra tem primores,<br />
Parabéns, mostrem-mos lá.<br />
Não me falem &#8220;ora pois&#8221;<br />
Nem me falem do que não há<br />
Não sabemos o que é viver<br />
Não aqui e nunca lá</p>
<p>Não tem Deus que traga a conta<br />
Do consumo de maná<br />
Não tem pai que nos corrija<br />
Do erro que a gente fará<br />
Não sabemos o que é viver<br />
Não aqui e nunca lá</p>
<p><em>NOTA: Disse este poema no dia 21 de Novembro no espectáculo dos Social Smokers no SESC Pompéia. É a (in)versão possível de um português a viver em São Paulo no século XXI da famosa &#8220;Canção do Exílio&#8221; de Gonçalves Dias, um brasileiro que estudava Direito em Coimbra no século XIX.</em></p>
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		<title>OS NANDAMENTOS</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Apr 2010 11:19:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[(escrito para o espectáculo dos Social Smokers de 22 de Abril) 1. Não afagarás os joelhos do próximo. 2. Não falarás com mulheres de barba. 3. Não criarás documentos do Microsoft Word que precisam de conversão para serem lidos por versões mais antigas do Office. 4. Reconhecerás sempre o dever de te rires da classe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(escrito para o espectáculo dos <a href="http://www.myspace.com/socialsmokerspt">Social Smokers</a> de 22 de Abril)</em></p>
<p>1. Não afagarás os joelhos do próximo.<br />
2. Não falarás com mulheres de barba.<br />
3. Não criarás documentos do Microsoft Word que precisam de conversão para serem lidos por versões mais antigas do Office.<br />
4. Reconhecerás sempre o dever de te rires da classe política.<br />
5. Não saxofonearás o Zé Lencastre do próximo.<br />
6. Amarás as pessoas acima de todas as coisas.<br />
7. Babar-te-ás durante o sono.<br />
8. Orgulhar-te-ás da distribuição dos teus pêlos corporais.<br />
9. Honrarás a memória dos teus animais de estimação falecidos.<br />
10. Não Sentinelarás o Silva do próximo.<br />
11. Viajarás principalmente de transportes públicos.<br />
12. Nunca aprenderás a estacionar um carro devidamente.<br />
13. Andarás sempre com o livro de recibos atrás.<br />
14. Pendurarás nos ombros tudo o que conseguires.<br />
15. Não Cortezarás a próxima do Alex.<br />
16. Farás xixi e irás para a caminha.<br />
17. Nunca saberás explicar muito bem o que fazes na vida.<br />
18. Nunca saberás muito bem o que fazes na vida.<br />
19. Aprenderás muita coisa que te vai sempre ser útil.<br />
20. Não Biruarás as Queijas do próximo.<br />
21. Serás um bom rapaz que todos os dias fala com os pais.<br />
22. Serás um mau rapaz que todos os dias tem pensamentos impuros.<br />
23. Serás um homem assim-assim.<br />
24. Não calarás o que tens para dizer, mas nunca dirás o suficiente.<br />
25. Não Joãopedroarás os vídeos do próximo.<br />
26. Respeitarás todos os homens, até o Filipe Fonseca.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Introduction&#8221; (&#8220;Cruel Shoes&#8221;, de Steve Martin)</title>
		<link>http://jvnande.com/introduction-cruel-shoes-de-steve-martin/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Apr 2010 09:15:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[tradução]]></category>

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		<description><![CDATA[Vais por uma estrada campestre. Está uma tarde tranquila. Olhas lá mesmo para o fundo da estrada e vês alguém a andar na tua direcção. Estás surpreendido por teres percebido uma pessoa a tão grande distância. Mas continuas a andar, não esperando mais do que um aceno amigável quando se cruzarem. Reparas que ele tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Vais por uma estrada campestre. Está uma tarde tranquila. Olhas lá mesmo para o fundo da estrada e vês alguém a andar na tua direcção. Estás surpreendido por teres percebido uma pessoa a tão grande distância. Mas continuas a andar, não esperando mais do que um aceno amigável quando se cruzarem. Reparas que ele tem cabelo laranja e brilhante. Está mais perto &#8211; um fato de cetim branco com pontos coloridos. Mais perto &#8211; uma cara pintada de branco e lábios rubros. Tu e ele estão a cinquenta metros de distância. Tu e um autêntico palhaço com uma buzina, separados por vinte metros. Aproximam-se na solitária estrada campestre. Tu acenas. Ele buzina e passa.</em></p>
]]></content:encoded>
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