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	<title>Jorge Vaz Nande &#187; ficção</title>
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		<title>Conto inédito: &#8220;Carta aberta do Grupo das Sextas Feiras relativa ao falecimento do Presidente da República&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 06:23:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[ficção]]></category>
		<category><![CDATA[textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Escrevi este conto em 2010 para uma revista institucional. Compreensivelmente, ela recusou-o e, para o substituir, escrevi uma carta triste. Ele ficou guardado no meu computador, até que hoje, enquanto via o V for Vendetta, me lembrei que estive em Londres no 5 de Novembro, onde me encontrei com manifestações a serem travadas, e que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='wb_fb_top'><div style="float:right;"></div></div><p><a href="http://jvnande.com/teste/wp-content/uploads/2011/11/presidente.jpg"><img src="http://jvnande.com/teste/wp-content/uploads/2011/11/presidente.jpg" alt="" title="presidente" width="500" height="364" class="alignnone size-full wp-image-1165" /></a><br />
<small><em>Escrevi este conto em 2010 para uma revista institucional. Compreensivelmente, ela recusou-o e, para o substituir, escrevi uma carta triste. Ele ficou guardado no meu computador, até que hoje, enquanto via o</em> V for Vendetta<em>, me lembrei que estive em Londres no 5 de Novembro, onde me encontrei com manifestações a serem travadas, e que hoje vi <a href="http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&#038;v=wuWEx6Cfn-I">um vídeo</a> de estudantes, que se manifestavam sentados e pacificamente, a serem sprayzados com gás pimenta, como quem passa Raid em melgas porque nos vêm perturbar o sono. Por isso tudo, acho que chegou o momento de o dar a ser lido</em>.</small></p>
<p>Caro leitor, se nada mais fixar deste texto, eu desejo, em representação do Grupo das Sextas-Feiras, que pelo menos fixe a seguinte mensagem: não fomos nós a matar o Presidente da República. Nós apenas operámos a consequência da causa que foi a acção do Governo e de uma classe política corrupta, do mesmo modo que um buraco numa parede é causado, não pela bala que a fura, mas pelo homem que a dispara. Os motivos para o rapto e condições para a libertação do sequestrado foram assumidos desde o início e tinham como principais pontos os seguintes: </p>
<p><em>- Fiscalização de todos os actos governamentais por uma entidade civil, apartidária e independente;<br />
- Suspensão das quotas de produção impostas pela União Europeia;<br />
- Reforma agrária, com limitação dos hectares apropriáveis pela mesma pessoa singular ou colectiva;<br />
- Obrigatoriedade das multinacionais se submeterem a uma fiscalização prévia de merecimento ético e ecológico antes de poderem actuar no país;<br />
- Possibilidade de expulsão das mesmas, caso esse merecimento se perca;<br />
- Declaração de nulidade de todas as regras de propriedade intelectual;<br />
- Nacionalização de toda e qualquer forma de propriedade em zonas seleccionadas, com especial rigor na ilha da Madeira;<br />
- Definição de intervalos rigorosos que progressivamente anulem as diferenças salariais entre os trabalhadores dentro da mesma empresa, em todas as empresas portuguesas;<br />
- Fim do ensino universitário tendencialmente exclusivo, privatizado e com finalidade lucrativa, com um pedido oficial de desculpas à nossa geração e ao país.<br />
</em></p>
<p>Estes pontos foram ditados ao PR assim que ele acordou do transe que lhe induzimos e repetidos a todos os nossos interlocutores durante o processo de negociação que se arrastou durante uma semana. Recordo que, após essa primeira leitura, o comentário feito pelo PR foi particularmente insultuoso relativamente às nossas boas intenções e, como tal, tivemos de pô-lo a dormir outra vez. Mas isso agora não interessa.</p>
<p>Durante a negociação, ficámos surpreendidos com o modo como o Governo e também a Casa Civil pareceram particularmente indiferentes aos nossos apelos. Os nossos telefonemas não eram atendidos e, quando o eram, não ouvíamos os famosos ruídos que indiciavam escutas. Ao contrário de tantos cidadãos, ninguém se interessava pelo que dizíamos, mesmo que tivéssemos raptado o Presidente. Riram-se das nossas condições, não acreditavam em nós, ainda que (e talvez precisamente porque) não exigíssemos qualquer quantia monetária para a libertação e apenas o cumprimento daqueles nove pontos, que considerávamos, ainda e sempre, necessários para que este país se tornasse, se não recomendável, pelo menos tolerável. Já num período de míngua de soluções que não se resolveu nem quando propusemos que o PR falasse directamente ao telefone com o PM e o presidente da AR – as agendas carregadas deles não o permitiam &#8211; vimo-nos obrigados, em desespero, a recorrer à solução que não desejávamos, mas que na altura se apresentou como a única possível.</p>
<p>A primeira orelha do PR foi enviada no dia 18 de Março para a sede oficial do maior partido da oposição e não, como correu nalguns fóruns anarquistas na Internet, directamente para a Primeira-Dama. Reacção: silêncio, apesar de lá estarem bem claros todos os nossos devidos contactos e motivações. Tememos por um extravio postal e, a 20 de Março, cortámos a segunda orelha, que remetemos para a sede do partido do Governo em envelope verde registado, o que, para uma pequena organização clandestina, representou um grande custo… mas não suscitou impacto maior do que os CV que enviámos logo após acabarmos a licenciatura.</p>
<p>Quero salientar o seguinte ponto: todas as intervenções cirúrgicas foram executadas pelos nossos membros estagiários de Medicina, com recurso ao material que conseguiram surripiar dos respectivos locais de trabalho. Somos raptores, mas não somos bárbaros. O sofrimento do PR foi reduzido ao mínimo possível e foi com satisfação que verificámos que, nos seus breves intervalos de semi-consciência, nada de reprovador exprimiu sobre a nossa acção. Enquanto órgão unipessoal, o PR compreendia que o extirpássemos dos órgãos de modo lento e calculado. Isso animava-nos e levava-nos a entender que estávamos no caminho certo.</p>
<p>Considero que, após esta contextualização, o leitor conseguirá entender e, quem sabe, ser compassivo com o nosso acto seguinte, discutido até à exaustão em várias reuniões extraordinárias e levado a cabo com grande esforço e mobilização de meios. O aterrador silêncio que era contraposto às nossas acções só podia ser quebrado, sabíamo-lo, com uma atitude drástica. Como tal, no dia 22 de Março anestesiámos e desmembrámos o PR. Distribuímos os seus membros pelos seguintes locais: as pernas para o centro do campo dos dois estádios da Segunda Circular; o braço esquerdo para o nariz do Cristo-Rei; e o braço direito masturbando um dos leões nas escadas da Assembleia da República.</p>
<p>Concordando ou não com o método escolhido, o leitor diria que isto terá chegado, que esta acção foi suficiente para que pelo menos alguém se interrogasse sobre o se passava. Mas isso não aconteceu. Da noite para o dia, os monumentos foram limpos dos elementos perturbadores, a normalidade foi reposta. Então compreendemos: alguém tinha interesse em que não se soubesse que o PR fora sequestrado, como se pudesse beneficiar de um Palácio de Belém silencioso. Ou então alguém preferiu assistir à lenta decomposição de um homem a fazer cumprir nove simples pontos &#8211; presumindo, claro, que saberia fazê-los cumprir.</p>
<p>Quando o estado de fraqueza extrema do PR causou o seu falecimento (ao que parece, ele padecia de anemia crónica, o que nunca nos foi comunicado), o Grupo das Sextas-Feiras foi desactivado e todas as suas actividades suspensas. Colocámos o semi-presidente no chafariz do Freeport de Alcochete, onde considerámos que seria fácil encontrá-lo. Porém, até hoje não ouvimos qualquer notícia que relatasse a descoberta do corpo ou mencionasse os factos enumerados na nota que deixámos com ele. O tempo foi passando e a única conclusão possível é que não nos faremos entender por quem de direito. Ninguém nos vai ouvir, ninguém nos vai ligar. Nem você, caro leitor, que provavelmente estará a ler este texto como se de ficção se tratasse. Passados todos estes dias, percebemos enfim que nem a morte do Presidente da República chega para alguma coisa neste mundo estúpido. Jogando limpo ou fazendo batota, nunca venceremos nada e essa é a única certeza possível.</p>
<p>Cumprimentos. </p>
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		<title>5 microcontos sobre o desejo</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 16:36:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jvnande.com</dc:creator>
				<category><![CDATA[ficção]]></category>

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		<description><![CDATA[Escritos para o número 11 da revista Minguante.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='wb_fb_top'><div style="float:right;"></div></div><p><a href="http://www.minguante.com/?num=11&amp;textos=jorge_vaz_nande">Escritos para o número 11</a> da revista <a href="http://www.minguante.com/">Minguante</a>.</p>
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		<title>O Parênteses</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 16:34:36 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Um pequeno conto escrito para os leitores do meu antigo blog. Joaquim Nando ainda teve continuação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='wb_fb_top'><div style="float:right;"></div></div><p><a href="http://apeste.blogspot.com/2006/05/um-conto-para-os-leitores-da-peste.html">Um pequeno conto escrito para os leitores do meu antigo blog</a>. Joaquim Nando ainda teve <a href="http://apeste.blogspot.com/2008/02/o-joaquim-nando.html">continuação</a>.</p>
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		<title>Um microconto de Natal</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 16:32:08 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A minha primeira incursão pelos terrenos da micronarrativa.]]></description>
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