O silêncio

Um dos monólogos que mais me tocou aqui na moleirinha foi o da Michelle Pfeiffer no The Fabulous Baker Boys, o da discussão com o Jeff Bridges: “Every time you walk in those places, you’re selling yourself cheap. l know all about that. l find myself at the end of the night with some creep, and l tell myself it doesn’t matter. You kid yourself you’ve got this empty place inside to put it. But do it long enough and all you are is empty”. É mais uma daquelas coisas à volta das quais anda toda à gente sem saber muito bem como resolver, porque o trabalho e o filho e as aulas e as contas e os terremotos ocupam o tempo todo e fica por responder a pergunta: como se preenche o espaço vazio? Desde os meus amigos jornalistas, que têm as colunas de papel a preencher com letras e imagens e o ar de rádio, que está morto a não ser que seja varado por palavras, até aos meus amigos contabilistas, que todos os dias se sentam ao computador com folhas de Excel a olhar para eles, ninguém é indiferente à questão. E esse é um problema que os aparelhos não têm, porque já enchi o disco do Sony Reader com e-books e o do disco externo com tudo o mais e difícil será que eles fiquem com o peso aligeirado. Ou seja, os aparelhos não têm problemas com o silêncio; esse é um problema só nosso, humano.

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