Táxi Mistério

Fiz a viagem até Lisboa a dormir. Dois dias a trabalhar até tarde deram cabo de mim a um ponto de me encontrar perdido no meu cansaço, como se acordar de repente quando as luzes da auto-estrada me batiam na cara fosse emergir de surpresa em água gelada, vir à tona ganhar respiração quando já não se pensava sair. Foi nessa hipnose que entrei no táxi, indiquei o destino e me deixei ficar a ouvir a música que passava lá dentro, que não era nada que se assemelhasse a M80 ou Rádio Amália. Desculpe lá, ò amigo, isso soa muito bem. O que é?, e o homem olhou para mim pelo retrovisor e disse Isto é jazz-rock, tem 30 anos, o disco chama-se “Ripping Stones” e o músico é o Stanley Jordan. Para o caso, é irrelevante que Jordan só tenha começado a editar em 1982 e que não encontre nenhum título remotamente semelhante a esse na sua discografia – relevante é que o taxista, que andava depressa e tinha olhar de quem não é parvo nenhum, perguntou Gosta?, eu respondi que sim, ele continuou Então também vai gostar mais alto, e encheu a noite do Conde Redondo com finger-tapping.

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