As repetições

O dia começou no Ministério da Administração Interna, onde umas senhoras muito simpáticas me fotografaram, recolheram impressões, registaram assinatura, receberam pagamento, passaram recibo. Encontrei lá duas pessoas que iam para o Brasil. Fomos tomar café. Falei da língua geral, a tal que se falou no Brasil na época dos Bandeirantes e que misturava o português com o tupi, a tal que o Marquês de Pombal proibiu, a tal que tem o mesmo nome da editora do José Eduardo Agualusa. Pensei nisso nesse momento e apercebi-me pela primeira vez como o José Eduardo Agualusa tem tudo a ver com o seu nome. À tarde, fui escrever para o Kaffeehaus. Depois de uma hora, olhei para o lado e lá estava o José Eduardo Agualusa, numa mesa ao fundo, conversando. E eu pensei “olha que engraçado”. Fiz o que tinha a fazer, fechei o computador, segui para a Fnac para gastar algum tempo. Enquanto tentava perceber os títulos de livros mais ridículos das últimas fornadas, apareceu-me o José Eduardo Agualusa, também a cirandar pelo meio dos livros. E eu pensei “olha que engraçado”. Logo encontrei um amigo que trabalha no Governo Civil e que, portanto, tinha acabado de passar à frente do Kaffeeehaus. Procurava uma prenda para uma amiga de uma colega de trabalho. Ajudei a procurar a prenda e, quando estávamos a sair da Fnac, o último livro que vi tinha uma citação do José Eduardo Agualusa. E eu pensei “olha que engraçado”. À noite, voltei a falar do Brasil com mais algumas pessoas, mas não repeti a história da língua geral. Não voltei a ver José Eduardo Agualusa.

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