Tu, baterista com quem falei ontem, tens razão, porque o rock

(A famosa pose “quem és tu, romeiro?”; ver aqui por volta dos 4m12)

é mesmo a celebração cega do indivíduo, a coisa mais egoísta, manipuladora e incrível. Sim, porque que mais se pode chamar a um som pensado para conduzir o público através de pulsões à celebração de um gajo com esta entrega, seja ele um génio chamado Iggy Pop ou um idiota saltitante chamado David Lee Roth? Isso é o que muitas vezes se esquece quando se faz uma banda, quando três a cinco putos decidem entregar-se ao som e à arte e se esquecem de que é preciso quem dê som e é preciso quem dê show. O rock tem de levar à idolatria, à entrega cega a alguém que consiga pôr toda a gente a olhar para ele e, durante umas horas, deixar todos mais à beira de um êxtase desconhecido. Se Iggy Pop aqui tivesse querido seguir em frente para a pilhagem, tinha-o conseguido. O concerto rock é – deve ser sempre – uma espécie de sucedâneo para a experiência do motim. E por isso é que é preciso ter cuidado com as flores e as luzes e as maquilhagens pipis, porque isto não é para ser bonito, não é para ser respeitável, não é para ser animado – é para ser do caralho. Acho que concordamos. Que tudo te corra bem nos teus projectos, compres lá a Ludwig em Braga ou compres uma de raiz ao contacto que te deram. Sê do caralho e vai tudo correr bem. Agora vou só ali comer uma sandes de manteiga de amendoim e já volto.

Um comentário sobre “Tu, baterista com quem falei ontem, tens razão, porque o rock

  1. Tu, rapaz que desapareceste de repente sem deixar rasto (ou despediste-te e eu já não estava em estado de reparar nisso) acho que sintetizas bem aquilo de que tanto se falou ao longo de cinco “curtas” horas. Isto meu caro funciona mais ou menos como um bom vendedor da IMCO. Vai a tua casa para te vender UMA panela anti-aderente e acabas por comprar aquela baixela de 120 peças que nunca vais usar (porque não há casa para tanta gente) ou aqueles edredons com lã virgem de merino (raça de carneiro originária da Espanha e Portugal. Aspecto Geral: Tamanho médio, eumétrico e mediolíneo, de cor branca.Pele, Velo e Lã Pele fina, untuosa e sem pigmentação. Velo muito extenso e tochado, com madeixas cilíndricas ou quadradas, regularmente homogéneo; cobre a cabeça, todo o pescoço, o ventre, os membros quase até às unhas e os testículos.) de que se tudo correr bem, as placas tectónicas não se armarem em espertas e Portugal não for parar ao Pólo Norte, à partida NUNCA iremos precisar!
    Uses tu saltos altos, andes de tronco nu exibindo orgulhosamente a pilosidade que outrora era também abundante na cabeça, coloques palmeiras, silvas ou amores-perfeitos iluminados por aquelas luzes auto-suficientes que se compram no catalogo do D-Mail, o que interessa é que que sintas que o que estás a fazer é do caralho! Os outros também vão sentir, e lá acabam por comprar os tachos!
    Epá, no pior das hipoteses não compram e voltas com tudo para casa.
    Melhor ainda, problema existencial na compra da bateria resolvido! Um belo modelo Rock com 120 peças, qual Ludwig qual quê!

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