O “POLITIQUÊS” E O PODER DA AUTO-CLASSIFICAÇÃO, ou As Variações Pachecoldberg

(a partir de PP)

Olhando para os encontros dos políticos que venceram os cidadãos, encontramos um dos mundos menos conhecidos e escrutinados da vida pública portuguesa. Porém, existe uma relação directa entre a ausência de escrutínio do seu trabalho e a capacidade que têm de influenciar os media a favor das suas causas, quer porque o seu lugar é central em certas “indústrias da comunicação”, a que os media estão associados, quer pelo preconceito da intangibilidade da “administração”, da “governação”, da “política”.

Este mundo funciona em circuito fechado, e desconhece-se que critérios presidem ao seu funcionamento e como são verificados os resultados dessa aplicação do dinheiro dos contribuintes. Sabe-se que não é pelo interesse dos cidadãos, visto que estes ramos de “administração” e “política” abominam tal critério vulgar, de serem avaliados, entre outras coisas, pelo interesse que suscita o seu trabalho pelo comum dos portugueses.

É verdade que a verba que gastam do erário público é elevada e é dinheiro dos contribuintes que têm direito de saber onde e com quem é gasta. Os grupos de “políticos”, principalmente na área autárquica e da administração autónoma, empregam um número significativo de pessoas, cuja trabalho individual é desconhecido e não avaliado. São “políticos” e como se auto-classificam como tal, quase tudo lhes é permitido, e respondem com enorme arrogância a qualquer avaliação.

Organizados em vários “partidos”, PCP, PS, PSD, a que se juntaram o CDS e o Bloco de Esquerda, representam uma miríade de grupos cuja existência pública é quase ignorada se exceptuarmos alguns comentadores, personalidades televisivas, arguidos judiciais e o Alberto João Jardim. O Bloco “reúne 3 partidos políticos anteriores” e o CDS “agrega cerca de alguns milhares de velhinhos, betinhos e pessoas suburbanas que já se assustaram com uma sombra na rua, maioritariamente de Cascais e das áreas das feiras“. Só o PSD inclui a comunidade de filiados mais sequiosa por uma mudança de poder no país, um ou dois Governos-sombra, o Pacheco Pereira e o Pedro Santana Lopes, a Zita Seabra e a Maria José Nogueira Pinto.

Tanto”político”, tanto “governante”, que nós temos por metro quadrado! O modo como se apresentam tem toda a prosápia burocrática e institucional. O PS quer com ousadia “defender inequivocamente a democracia e procurar no socialismo democrático a solução dos problemas nacionais e a resposta às exigências sociopolíticas do mundo contemporâneo” para o que defende “uma economia de bem-estar, aberta à pluralidade das iniciativas e das formas económicas privadas, públicas e sociais, e regulada pelo mercado e por instituições públicas adequadasO PCP explica-nos que na sua festa na Atalaia“pavilhões dos países socialistas, de jornais de Partidos irmãos, pavilhões dos novos países africanos com exposições sobre as conquistas dos povos que avançam decididamente na construção do socialismo, sobre a luta das forças progressistas de todo o mundo – e também bancas onde poderão ser compradas recordações e produtos de todo o mundo!”. Uma coisa chamada JSD explica-nos que a dita é “uma estrutura autónoma do PSD, apresentando um posicionamento programático claramente mais à esquerda, uma voz crítica e sem tabus, mas que, com o tempo, passou a alinhar mais com a base programática do partido. Mais ao centro e abandonando a ‘irreverência esquerdista’ que a caracterizou inicialmente”. E por aí adiante.

Este bla-bla do “politiquês” é como o “culturalês” e o “eduquês”, mas ninguém lhe toca. Só faltava tratar os “políticos” como gente vulgar!

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