O primeiro ato da ópera que eu escrevi estreia amanhã



Uma ópera popular, invocando Deu-La-Deu Martins, heroína de Monção, vai ser apresentada no sábado nas muralhas da vila, contando com a inédita participação de 200 pessoas, inclusive grupos de bombos e gaitas de foles.

Escrevi Deu-la-Deu a pedido da Câmara Municipal de Monção, a minha terra natal. O curioso disto de se mudar de terra é que, ao mesmo tempo, eu já deixei a terra e, ao mesmo tempo, eu nunca a deixarei. Ou seja, já não sou monçanense, mas, ao mesmo tempo, monçanense é aquilo que eu nunca deixarei de ser. Por isso, quando me foi proposto que revisse o mito fundador da minha vila para a comemoração dos 750 anos do foral com que D. Afonso III a reconheceu como município, eu não podia deixar de refletir isso. Como poderia repetir uma história que ouvi vezes sem conta, sobre a qual já seria difícil ter algum poder de objetividade, e, ao mesmo tempo, torná-la interessante para quem também já a ouviu vezes sem conta? Fiz análise histórica, vi tratados de genealogia espanhóis e portugueses, almanaques com centenas de anos – e, depois, quando já tinha bem separada a História da lenda, ficcionei a minha ficção por cima para a fazer universal. A proposta de encenação das Comédias do Minho, integrando os grupos corais e de bombos locais, faz ainda mais sentido, faz todos os sentidos. Agora, ela já não é monçanense, mas, ao mesmo tempo, monçanense é aquilo que ela nunca deixará de ser.

O primeiro ato da ópera Deu-la-Deu será interpretado amanhã, sábado, em Monção. Vão vê-la, pois eu não posso.

2 comentários sobre “O primeiro ato da ópera que eu escrevi estreia amanhã

  1. Caro, querido, primo afilhado.
    Sinto, como tu nunca deixar de ser de Monção ( para o bem e para o mal), embora tambem não resida cá. Pena que não consigamos fazer com que esta nossa terra nos possa ca ter a todos, nas diferentes actividades profissionais que, muitos monçanenses, abraçaram para fazer e seguir vida.
    Restam algumas epocas festivas e estivais para não perdermos a nossa identidade comum. Este teu trabalho será motivo de orgulho para muitos monçanenses espalhados pelo mundo e em particular para mim. Afinal é a nossa historia aos olhos de um Monçanense Ilustre. Bem Hajas Jorge (Vaz) Nande III

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