Rio de Janeiro, agora

Quando a constituição de um país democrático reconhece ser “livre a manifestação do pensamento”, ele inclui nesse direito não ter que receber ameaças de morte por parte de polícias à paisana, certo? Ao que parece, não é isso que pensa a polícia do Rio de Janeiro.

Desde o dia 26 de Julho, um grupo de cidadãos livres está na rua, numa ocupação na frente da casa do Governador do RJ Sérgio Cabral Filho, na Delfim Moreira com a Rainha Guilhermina. Manifestam-se para exigir a sua prisão por aquilo que consideram ser os seus crimes, nomeadamente pelo seu envolvimento no caso da imobiliária Delta. Quem quiser saber todas as motivações do grupo, pode ir à sua página do Facebook.

httpv://www.youtube.com/watch?v=kwHIT8jaCmA

Numa democracia, as pessoas podem concordar ou não umas com as outras. E, numa democracia, os cidadãos e as forças policiais jogam permanentemente a tensão entre direito à expressão livre e o dever de manutenção da ordem pública. Isto são coisas normais. Estive em Londres em Novembro e vi a polícia dispersar uma manifestação do Occupy London na St. Paul’s Cathedral. Os protestantes protestaram, a polícia avançou bem devagar, os ânimos aqueceram, mas não houve nenhum confronto. Isto é um jogo, que tem que ser jogado para que uma sociedade seja esclarecida sobre os diferentes pontos de vista quanto ao modo como ela se deve organizar.

Mas as regras do jogo são violadas quando polícias à paisana fotografam os manifestantes e ameaçam um deles dizendo “vocês querem morrer cedo…”, que foi o que aconteceu ontem no Rio de Janeiro. E não adianta dizer “no Brasil é assim”. Não existe “Brasil assim”. Não existe “Portugal” ou “Europa assim”. Os direitos estão consagrados e, se não são respeitados, cabe aos seus detentores fazer com que o sejam. As pessoas que estão neste preciso momento à frente da casa do Governador do RJ estão fazendo isso mesmo. Concorde-se ou não com o seu ponto de vista, eles têm o direito de expressá-lo. E, como um movimento de contestação válido não está tendo a cobertura devida pela comunicação social tradicional – o que, me apercebo tristemente, é cada vez mais normal neste país -, é preciso que blogs como este o façam.

6 comentários sobre “Rio de Janeiro, agora

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